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Luís Vieira da Mota - Pensar Diverso e Outras Claridades
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NÃO CANTABILE                                                                                                     ...  Convenhamos que uma moeda (euro) que nem dá para cantar não pode ser boa. Que tem pelo menos um aspecto muito útil, tem. Basta o poder caminhar-se pela Europa dos 15-3 sem necessitar de cambiar dinheiro. Uma comodidade excelente. Que tem uma característica assaz pouco positiva, tem: rapidamente nos apercebemos como são frágeis os nossos euros quando passámos a fronteira. Não é que valham menos. Gastam-se é mais depressa. Mas não dá para cantar, o que é deficiência grave. Falta-lhe a tónica. Nem podemos dizer, quando estamos lisinhos de todo «– não tenho nem um tostão para mandar cantar um cego.» Se experimentarmos substituir a moeda tostão por euro, logo detectaremos a ausência de musicalidade na palavra. Embora encha muitos bolsos – não confundir com muito os bolsos – Não enche o ouvido. E se os olhos também comem, os ouvidos também comprovam.Para melhor avaliar esta séria incapacidade, basta assistir, às segundas-feiras, à extracção das lotarias. Um horror! Corre tudo muito bem desde o andar da roda, a cantoria dos números, até que tenham de classificar, em cifra corrente, o valor do prémio. As "cantadeiras" da Santa Casa, bem afinadas e correctas no seu pregão, bem se esforçam por dar ênfase à entoação. A moeda é que não ajuda. Começa com uma sílaba sem força e acaba na seguinte, mais débil ainda. É uma palavra anémica. Os (as) pregoeiros(as) bem elevam a voz «– Quinhentos miiiiiil ... (um ligeiro colapso) Eu... (e logo a derrocada) ros.» Basta experimentar com outra cifra, como por exemplo: «– Quinhentos miiiiiil Paus!» para logo se confirmar o raquitismo da palavra Euro. É um invertebrado, uma lesma, não tem esqueleto! É um termo que parece inacabado, a que falta qualquer coisa. É um gato sem rabo. O premiado da lotaria ouve sem entusiasmo o anúncio da sua sorte. Sem emoção. Nem rebenta as molas da poltrona. A palavra final não o empurra para o salto. Fica-se a olhar a pantalha, britanicamente fleumático, e comenta para a cara-metade «– Olha, querida, parece que ganhámos na lotaria.» E vai dormir como se nada houvesse acontecido na sua vida. Apesar do valor ser o mesmo, salvo, evidentemente, os tais acertos de "milésimos" para arredondar, como dizem os agentes económicos – entenda-se para baixo ou para cima ao sabor do interesse dos tais agentes. Para não falar da imensa sonoridade que tinha o pregão «– Cem miiiiiil Contos!» Esta sim que era cifra sonora, "alegro com molto e cantabile".                  (In Pensar Diverso)


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